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  Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN


Data: 27/06/2014

Ato dialoga com população sobre opressão na Copa do Mundo

Cerca de duzentos manifestantes, entre eles organizações como o ANDES-SN, a CSP-Conlutas, o Comitê Popular da Copa do Distrito Federal e Entorno e coletivos feministas e LGBTs, se reuniram na manhã de quinta-feira (26) para dialogar com a população sobre os casos de opressão ligados à Copa do Mundo. Enquanto Portugal e Gana se preparavam para entrar em campo no Estádio Nacional Mané Garrincha, o ato debatia com a população que passava pela Rodoviária do Plano Piloto de Brasília os casos de machismo, racismo e homofobia relacionados ao megaevento.

Desde cedo algumas faixas já coloriam a área de embarque da Rodoviária, e aos poucos mais foram chegando. Movimentos feministas criticavam a objetificação de mulheres no futebol, e também o silenciamento dos poderes públicos frente a propagandas que exaltavam as mulheres como mais um “produto” oferecido aos turistas que vieram ao país para assistir a Copa do Mundo. A prostituição infantil também foi lembrada como um dos legados que o evento potencializou no país. O Movimento Mulheres em Luta (MML), filiado à CSP-Conlutas, lembrou que enquanto milhões de reais são investidos na Copa, o Distrito Federal ainda espera as 130 creches prometidas pelo governo do Distrito Federal.

O racismo na Copa e no futebol também foi criticado. Os manifestantes afirmaram que é hora de romper com xingamentos a jogadores negros. Também ressaltaram que é praticamente impossível encontrar brasileiros negros nas arquibancadas durante a Copa, o que comprova o caráter excludente desse evento que é apontado como uma festa popular. Em relação à homofobia, ativistas LGBTs apontaram que xingamentos já naturalizados no futebol, como “bicha” e “veado” são opressivos e afastam pessoas do esporte. Durante um minuto os manifestantes realizaram um beijaço gay, com a intenção de conscientizar a população sobre a importância do respeito a todas as orientações sexuais.

A população que passava pelo ato foi convidada a falar, e alguns o fizeram. Uma senhora que passou quatro dias em um ônibus, vinda do Acre para tratamento médico, afirmou que sua consulta tinha sido cancelada porque a estrutura do hospital está dando prioridade a atendimentos relacionados à Copa do Mundo. Pouco antes do encerramento do ato encenou-se um ato teatral, que mostrava um homem discutindo com sua esposa por ela usar roupas muito curtas. Um homem que passava pela Rodoviária interviu, sem saber que era apenas uma encenação, e recebeu aplausos dos manifestantes por ter tentado impedir uma agressão machista.

Os atos relacionados à Copa do Mundo no Distrito Federal seguem acontecendo em todos os dias de jogo em Brasília. Na segunda-feira (30) o ato será pela Tarifa Zero, antes do jogo entre França e Nigéria, e a sua concentração está marcada para a Rodoviária do Plano Piloto, às 11h.

 

 


Fonte: ANDES-SN


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