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  Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN


Data: 04/01/2018

198 argentinos foram condenados em 2017 por crimes de lesa-humanidade

Segundo a Procuradoria de Crimes Contra a Humanidade (PCCH) da Argentina, 198 pessoas foram condenadas no país, em 2017, por crimes de lesa-humanidade cometidos durante a ditadura civil-militar (1976-1983).

36 pessoas foram absolvidas no ano passado, e ainda restam 135 processos semelhantes para serem julgados, nos quais são investigados mais de 2900 argentinos. Entre os argentinos já condenados, há 599 falecidos, sendo que 499 morreram antes da condenação. 37 pessoas estão foragidas. 549 condenados se encontram em prisão domiciliar e 435 estão presos em cadeias de todo o país.

Genocida vai à prisão domiciliar

Em 27 de dezembro, um juiz concedeu prisão domiciliar a Miguel Etchecolatz, policial e torturador, que coordenou 21 prisões clandestinas durante a ditadura argentina. Etchecolatz, de 88 anos, foi condenado, em 2006, à prisão perpétua por 91 assassinatos e pelo roubo de dezenas de bebês, filhos de militantes presos e assassinados pela ditadura.

Organizações de direitos humanos, entre elas as Avós e as Mães da Praça de Maio, que lutam para recuperar as crianças sequestradas pela ditadura, protestaram contra a medida. Etchecolatz comandou, entre outras operações, o sequestro de dez estudantes secundaristas da cidade de La Plata, no episódio que ficou conhecido como “A Noite dos Lápis”. Apenas quatro saíram com vida da prisão clandestina.

Em 1997, ele publicou um livro autobiográfico, no qual não demonstrou qualquer arrependimento por seus crimes. “Nunca tive, nem pensei em culpa alguma. Por matar? Fui executor da lei dos homens, fui o guardião de preceitos divinos. Por ambos os fundamentos, voltaria a matar”, disse o genocida.

Nesta quinta-feira (4), milhares de pessoas se reuniram no centro de Buenos Aires para exigir o retorno do genocida à prisão, e para protestar contra a prisão de dois trabalhadores (Cesar Arakaki e Dimas Fernando Ponce) por participarem das manifestações contra a Reforma da Previdência, em 18 de dezembro.

Duas netas são recuperadas em dezembro

As Avós da Praça de Maio também puderam celebrar em dezembro, mês em que se recuperou a identidade de duas netas sequestradas pela ditadura (a 126ª e a 127ª netas recuperadas ao longo dos anos).

Em 5 de dezembro ,a organização anunciou a recuperação de Adriana, filha de Violeta Graciela Ortolani e Edgardo Roberto Garnier. Violeta estava grávida quando foi presa em 1976, e Edgardo não parou de buscá-la até também ser preso, em 1977. Ambos foram assassinados na prisão. “Estou feliz, completei minha vida”, disse Adriana em uma coletiva de imprensa, cercada por seus familiares, que a buscaram por 40 anos.

A neta 127 não quis se identificar, e é filha de María del Carmen Moyano e Carlos Poblete, nascida em cativeiro em maio ou junho de 1977. Ela foi adotada por um casal ligado à repressão argentina e nunca soube que esses não eram seus pais biológicos.

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Com informações de UY Press, BBC e Tiempo Argentino. Imagens de Tiempo Argentino. 


Fonte: ANDES-SN


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